domingo, 27 de novembro de 2011

O fim dos Grilhões (Parte I)


Estamos em um tempo de relativa paz. As guerras na Europa se concentram na Ibéria e o resto dos reinos experimenta um período de tranquilidade e disputas internas.
As grandes batalhas parecem ter morrido com Carlos Magno e as Cruzadas não interessam mais tanto quanto no passado.
Esta paz deve acabar.
Eu mesmo procurei as estátuas, uma por uma. E aquele acontecimento com a maga insana que dizia vir do futuro me deu as informações que eu precisava para decidir se as usaria ou as destruiria. Lady Saliana foi gentil em me devolver a que tiraram de meu refugio, afinal um Dragão verde não é visto o tempo todo em Paris, ainda mais na sacada do Castelo Carmesim. Os inquisitores adorariam saber quem trouxe aquele ser magnifico para a cidade, assim como os magos, os lupinos e até as fadas...
A gehenna é uma realidade. Nossos fundadores estão prontos para despertar e devorar a cada um de nós, mas não no sentido alegórico que o livro de nod diz de forma tão poética.
A gehenna é a guerra dos Príncipes. Os fundadores mesmo em seus sonos negors incitam suas crianças a guerrear e a destruirem a si mesmas. Esse é o verdadeiro sentido do termo devorar. Nós cainitas devoramos uns aos outros, o tempo todo, por toda a eternidade.
O Despertar dos antigos apenas aceleraria o processo, assim como seus filhos diretos estão fazendo pela Europa, levando caos e a cruz assassina para todos os antigos e jovens.
Percebi que aquilo que fiz a minha senhora, foi um prenuncio. Aquilo me fez ver a verdade e o que não é uma verdade senão uma mentira bem contada?
Procurei aqueles que achavam ter encontrado a verdade e fiz com que eles acreditassem na propria mentira.
Hoje somos a Espada de Cain e não mais escravos dos antigos.
O tempo de abusos acabou, o tempo dos grilhões não existe mais. Existe apenas o sangue e a guerra.
Reuni as estátuas, as Guardiãs de Cain, servas com mais poder até que os antidiluvianos, mas no entanto, escravas da sede e da dor. Levei ao pai de minha espécie, Mekett, o Tizmisce, senhor dos vermes.
Logo sua sede se aguçou e ele despertou, pronto para devorar aqueles seres de tanto poder. 
Mas havia um guardião e enquanto nós esperávamos do lado de fora do castelo, as luzes douradas e os urros de ódio podiam ser vistas de muito longe. O ser celestial fez seu serviço, destruiu as servas de Cain, mas estava fraco e foi mandado de volta ao paraiso, mas não sem antes deixar nosso Pai a beira da destruição. Era nossa chance.
Mesmo ferido, aquele vampiro era formidável e mandou muitos de nós para o inferno. Chego a ter remorso por destruir um ser tão magnifico, mas era preciso, nossa existência dependia deste crime tão hediondo. 
Por fim, Lugoj, a quem dei todos os meios necessários para governar e liderar a revolta, teve seu prêmio e bebeu do coração do ancião. Eu apenas observei e sorri.
Aquelas estátuas, segundo a pobre menina do futuro, causariam a gehenna e provocariam uma guerra sem tamanho entre os antidiluvianos.
Eu os destrui, mas nem por isso evitei tal guerra.
A diferença é que agora não somos mais soldados enviados para a morte e sim generais com interesses proprios.
Falando em interesses próprios, devo levar o pó daquele toreador para sua filha. Ela deve saber a quem agradecer no futuro.
Espero que os outros clans, inspirados por meus atos possam trazer a todos o retorno daquilo que nós, cainitas, mais gostamos, a chance de matar uns aos outros. A Guerra.

sábado, 26 de novembro de 2011

Eldrake - A Descoberta dos Ciclos


O sol brilhava forte e aquecia demasiadamente esta manhã, Eldrake despertava de seu sono, onde havia sonhado com uma grandiosa ave, que um dia tentara voar até as estrelas. Ele se sentiu revigorado recebendo o calor do sol em seu cabelo vermelho e molhando sua face e sua nuca com a água gélida do rio que corre perto de sua casa. A vila esta movimentada, todos estão desempenhando seus papéis, ou seja, poderia dizer que está tudo normal, se não fosse o décimo sétimo aniversário de Eldrake. Durante este momento de reflexão algumas jovens da vila passaram olhando para o agora quase homem de cabelos ruivos e cochichando entre elas, Eldrake era muito bonito, o tipo de homem alto com longas mechas vermelhas e uma barba da mesma cor, porém melhor cuidada que o cabelo. O rapaz nem percebera os risinhos e continuou seu caminho, afinal ele tinha algo importante a fazer, encontrar o ancião de sua vila e pedir para ele sua benção para se tornar adulto naquele dia. Andou um caminho largo e enfeitado até a casa do ancião que vivia no centro da vila e era requisitado para tudo, porém neste dia, ele seria apenas requisitado pelo aniversariante. Pedindo licença o jovem adentra a casa e se depara com um velho de longas barbas brancas, sobrancelhas enormes e escassos cabelos, os olhos azuis do velho possuíam uma profundidade nunca vista por Eldrake, profundidade esta que apenas os anos trariam para os olhos dele. O ancião logo foi até o aniversariante e deu-lhe um abraço de parabéns junto com um pequeno cristal em forma de um círculo.O velho sorriu para Eldrake e disse que para que ele o reconhecesse como adulto, o jovem teria que descobrir um segredo que ele mesmo apenas descobriu a pouco tempo. Eldrake ficou atordoado, todos sabiam que o ancião era a pessoa mais sábia da vila e que se apenas agora aquele ser tão sábio descobriu algo novo, seria impossível para qualquer outro descobrir. Com os ombros caídos e já desanimados Eldrake escutou atentamente o pedido do velho. –“Garoto, eu quero que você descubra o porquê dos círculos em nossa vida e como eles influenciam em nossa morte.”
Eldrake lançou um olhar assustado ao velho, como ele iria descobrir tal segredo se nem conseguia compreender a pergunta? O velho lhe lançou um sorriso e disse que quando voltasse com a resposta, ele seria considerado adulto na vila. Eldrake estava arrasado, nunca seria um adulto, afinal, quem diabos seria louco o suficiente para entender uma pergunta tão vaga e tão estranha, ele nem sabia que os círculos faziam parte da vida e da morte, só se forem impulsionando carroças e outras coisas. Ainda abatido o jovem se colocou a realizar seus afazeres, todos na vila o olhavam interessados esperando pela pintura em seu corpo que demonstraria que ele era conhecido adulto, porém não encontraram. Tudo estava indo de mal a pior, todos quem ele questionava não conseguiam dar sequer uma luz da interpretação da pergunta. Os dias foram passando e quanto mais ele pensava a respeito menos ele tirava conclusões, até que tomou coragem e foi falar com o velho ancião. Entrou enfurecido na casa do velho, porém com respeito. Logo se colocou de joelho para ele e implorou por outro teste, aquele, ele nunca descobriria. O ancião com olhar desapontado sorriu calmamente e disse: - “ Cada um tem suas limitações, saiba reconhecer as tuas e quando conseguires, volte para se tornar um homem”. Eldrake agora levantou animado, agradeceu o velho que apenas sorriu e foi-se alegremente pelas ruas da vila procurar por suas limitações. O rapaz começou indo realizar a caça de um cervo sozinho, dois dias depois ele voltara com o animal. Em seguida distribuiu a carne do animal e ficou com uma parte para tentar cozinhá-lo. Obviamente foi um desastre, mas o rapaz se colocou a comer o grande pedaço assim mesmo, agüentando até quase o fim. Depois descansou o máximo que ele conseguia ficar sem fazer nada e após isso ajudou e trabalhou o máximo que ele conseguia sem descansar. Cortejou as moças da cidade ao máximo e também após isso as evitou ao máximo. Eldrake se considerava pronto, tudo o que importava para ele já havia sido visto e foi quando teve esse pensamento que algo lhe ocorreu, falta uma coisa, falta descobrir a pergunta do velho, será que ele seria capaz? Afinal teria que tentar novamente. Eldrake decidiu caminhar nos locais fora da cidade e reparar nas coisas, passou uma semana reparando no céu, nas árvores, nas águas, nos animais e em si mesmo. Reparou como as coisas funcionam em sua vila quando ele estava de fora apenas olhando e entendeu a pergunta. O mundo é feito de ciclos, cada busca é algo que lhe dá uma resposta, mas te leva a novas perguntas te colocando sempre no patamar inicial, as criaturas são seres que nasceram para aprender, para questionar e para achar novas perguntas e respostas, então como esses ciclos se aplicavam na vida na morte das pessoas? Na vida ele tinha acabado de descobrir, mas e na morte? Neste momento ele se lembrou da cena de um grande animal negro das florestas sendo comido por outro ainda maior, não entendera de onde havia vindo essa lembrança, mas ela estava lhe dando a resposta, o ciclo da vida, é também o da morte, afinal Tudo tem um início e um fim.  Achou estranho o pensamento e continuou a desenvolvê-lo chegando a conclusão de que hoje ele é Eldrake, mas o que ele foi em seu passado? Não importava agora, ele havia descoberto a pergunta e estava voltando feliz para sua vila com a resposta dos dois enigmas do velho, o da sua limitação e o do ciclo. Chegando a casa do velho, seu pai estava lá em vez do ancião. Assustado, Eldrake ouviu o relato de seu pai, de como o velho ancião havia morrido de velhice e como antes disso entregou um pergaminho para que fosse entregue a Eldrake quando este voltasse de sua jornada, no pergaminho dizia: “ Estou certo de que encontrou as respostas e estou certo que se repetir o que descobriu para seu pai agora, ele que é o líder bélico da vila lhe dará meu título de sábio como é minha vontade.” Assim Eldrake fez: “- Pai, o sentido de nossa existência é de que somos todos interligados, somos todos um, e todos nós fazemos ciclos de evoluções constantemente. A vida, não é nada além de mais um destes ciclos, para que um dia, todos nós sejamos apenas um novamente e este um tenha o conhecimento de todos. Nossa limitação, é apenas uma, nós mesmos.”
O pai do rapaz assustado se ergueu de seu assento e colocou no agora adulto a pintura da passagem dizendo que agora ele era adulto e também entregando o cajado do ancião para ele, disse que agora ele era também o sábio da vila e que deste dia em diante ele teria que obter a iluminação máxima para que pudesse ajudar a vila a se desenvolver. Com isso um sentimento cresceu forte dentro de Eldrake, enfim, eles iriam aprender com ele e ele aprenderia mais com tudo. ( Continua )

Caos mascarado.


Ano de 1230, Canterbury

Ao meu querido pai, Lord Mithras.

Pai,

Parece que fazem anos que não nos vemos, morro de saudade de ti e não vejo a hora de nos reencontrarmos. Tantas coisas que tenho a lhe dizer, algumas coisas tão importantes que não vou poder esperar nosso reencontro, precisei lhe escrever.
A primeira das coisas é que Canterbury consegue ser um caos maior a cada noite mas os Lasombras estão em guerra civil desde que Lucian foi morto pelo tal Gratiano segundo os rumores. Existem aqueles que querem ver Montano morto e estão tentando matar sua prole na cidade, mas Letiziah  parece ter cobertura de um outro matusalém Lasombra que se encontra, meu pai, em sua querida Londres, achei melhor avisá-lo antes que eles se movam e você não estando na cidade perca seus domínios para os vermes do abismo.
Outra coisa é que eu estou realmente preocupada com o grau de aliança de Lord Gerlack, ele mandou espiões atrás de Sir Rômulo em sua viagem e desde que saímos de Dover uma presença estranha vem nos seguindo e cercando, Safiya acredita que seja um demônio e que tem profundas desconfianças que ele pode estar sob comando de Lord Gerlack, mas são apenas suposições, já coloquei Safiya para investigar melhor.
Lord Hannibal está saindo da Croácia, parece que aquele velho problema voltou a atormentá-lo e ele terá que sair de Zagreb, então, meu coração está aos cacos pois terei que enviar Nichola para nossa querida terra. E tenho para mim, que a Croácia entrará em guerra com a Romênia, desde que soubemos que o antidiluviano Tzimisce está morto nós estamos profundamente curiosos para saber a situação do vojvodato, talvez seja hora de arregaçar as mangas e tirar os soldados do tédio e varrer os Tzimisce de uma vez por todas da face do leste europeu.
Ah, meu pai, estou tão ansiosa para lhe mostrar minha mais nova bonequinha, seu nome é Aletha e ela será minha sucessora na política, menina dedicada, atenciosa e inteligente, a amo tanto que tenho medo de causar ciúmes em Sebatjan, e quero muito apresentá-la a você. Faremos uma grande festa na cidade para apresentar meu testa de ferro na cidade, se você pudesse vir seria ótimo.
Pai, fique atento a Haderstadt, ele está reunindo seus exércitos, matou a senhora de Sir Rômulo e está marchando para a Bretanha e nós seremos alvos desse ataque, não sei se poderemos contê-lo, Canterbury só tem os inquisidores a mando dos Lasombra que estão aderindo às guerras de seus senhores. Temo que seremos esmagados pelas forças dele, infelizmente eu ainda não tenho homens o suficiente para conter as hordas da Cruz Negra. Já alertei Nichola sobre Sisak e ele vai deixar a Croácia de prontidão caso a Cruz Negra decida por tentar um golpe em Zagreb.
Espero que você esteja bem, estou muito preocupada com a situação dos Ventrues, se analisarmos friamente, só temos você e eu para cuidar de todos esses problemas, espero não estar te sobrecarregando.

Com amor e muita saudade,

Leona de Notreville, Lady da Croácia e Príncipe de Cartebury.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

A História repete a si mesma


Minhas proles estão bem. Luanna eu sei, pois foi ela quem me tirou do Vedharta´s Pride antes que ele afundasse á beira da destruição. Temos nossas diferenças, eu e ela, mas no fim sei que fiz uma escolha certa ao traze-la para a noite. Já Gabir, este vem me surpreendendo positivamente há um bom tempo. Confesso que meu lado sínico me fez abraçá-lo quase como uma piada, mas ele vem mostrando que será uma prole dedicada e promissora. É um bom homem e um formidável guerreiro. Fiquei feliz ao perceber que ele despertou do torpor sem mais problemas.
Lucian está morto. A história se repete milênios depois, como na segunda cidade. O Patricídio generalizado agora se espalha pelo Mundo todo. Antes foram os da segunda geração, agora os da terceira. Sério mesmo que os da quarta e os da quinta se julgam seguros?
O amor. Sentimento proibido por Cain em sua amaldiçoada sabedoria, é ele quem nos deixa vulnerável. Amamos nossas proles, amamos outros cainitas e há ainda os que ainda amam os mortais.
Eu também amo. Amo Luanna, por mais que ela me odeie. Amei Letizia, por mais que agora a odeie.
O Movimento Anarquista está avançando pela Europa como Laurence previu. Caçando anciões por onde passa, bebendo do sangue do coração de qualquer um que caia. Mas creio que por enquanto, Canterbury está a "salvo". Pelo menos do caos e do fogo que esses delinquentes neófitos espalham por onde passam. era óbvio que a Espanha e a Romênia fossem os primeiros lugares a explodir. Os Assamitas estão loucos sem seu Ancião. E os jóvens Lasombra e Tzmisce não poderiam deixar de aproveitar a situação para acabar de uma vez com milênios de opressão e abusos.
Meu caminho agora é continuar meu trabalho.
Muitos me odeiam por ser um vassalo de um Ventrue. mas agora podem perceber que desse modo, nenhum Lasombra compete comigo, pelo meu domínio. É muito mais prático viver uma pós vida de conforto moderado, do que um inferno sendo caçado por sua posição invejada.
Agora minha querida e bela Luanna terá que me ajudar a escolher bem as palavras. Sei que Lady Leona chegará até a sorrir quando eu disser que o Vedhartaás Pride afundou...Já Lord Mithras....

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O Preço das Palavras


Tarde da noite. Me preparo para dormir com a cabeça cheia de cantos e salmos intermináveis. Aquela madre deve ser muito frustrada por Deus ter feito com que ela nunca tivesse conhecido um homem e resolvera dedicar sua vida a atormentar noviças como eu.
Eu já estava com a cabeça no travesseiro, aliviada por ainda não ter que dormir no convento graças a um pedido de meu pai. Ele queria fazer uma ultima tentativa com aquele nobre Irlandês asqueroso. 
No entanto, o que parecia ruim começou a piorar. Ouvi os latidos insistentes de Lyla, minha querida cadela. Eram latidos diferentes e rosnados. Lyla era dócil, nunca rosnava. Havia algo errado mas meu pai não era sagaz o suficiente para certos detalhes e apenas esbravejou para que ela se calasse. E assim a pobrezinha o fez, em meio a pequenos rosnados de protesto.
Quando me dei conta, tudo estava escuro. Ouvi apenas o som da janela se abrindo e logo senti o cheiro forte entrando por minhas narinas e me fazendo perder os sentidos.
No ultimo segundo, tive tempo de pensar. "Perdão pai, finalmente minha língua me traiu, como o senhor bem me avisou."
Acordei com o trepidar barulhento da carruagem. A cabeça doia, as mãos estavam amarradas e um saco na cabeça. Céus...Que Deus me mate antes de começarem. Se serei torturada pela inquisição, muita dor me aguarda. 
Segurei o choro o máximo que pude, já que a ponta da adaga sutilmente encostada na minha costela era um aviso para que eu não gritasse.
Fui obrigada a andar por um longo tempo, desequilibrada. O homem que me amparava tinha um perfume suave, isso já me dizia algumas coisas. Primeiro não era um ladrão barato nem um cigano. Eles fedem como porcos. Segundo não era um padre, pois eu podia sentir a pele do braço dele encostar nas minhas mãos, e estava nua. Quando eu começava a calcular possibilidades, fui gentilmente atirada em cima de um colchão macio. Minhas mãos foram desamarradas e uma voz gentil disse em tom baixo que se eu me comportasse continuaria livre e poderia tirar o capuz. Eu acenei positivamente, afinal que outra opção eu tinha? Ele retirou o capuz e eu vi o luxuoso quarto, cheio de luminárias e a cama digna de uma princesa.
Perguntei quem era ele, o que queriam de mim...Ele apenas disse para que eu dormisse, pois a noite de amanhã seria longa.
Minha razão se acabou ali. Chorei, gritei, esperneei, chutei a porta e soquei as paredes.Mas cai no sono.
Acordei e continuei meu espetáculo até que uma jovem serva entrou no quarto com comida e vinho. Me senti como Lyla, pois aquele cheiro era puro instinto. Eu estava tão faminta que se tivesse um rabo, estaria abanando para meus captores. 
A noite chegou, o homem que me raptou entrou no quarto e fez uma pergunta. "preciso vendar você, mas é por pouco tempo, você virá comigo sem resistir?" Era hora da tortura. DEUS! eu tinha que lutar por minha vida. Seria inutil mas eu tentaria. Tentei socá-lo, mas não tive forças. "resposta errada" ele disse enquanto me dominava como se eu fosse de brinquedo e me amarrava as mãos. Fui levada aos berros por corredores frios, e já imaginava a dor dos primeiros grilhoes atravessando meus pulsos...
Mas ao invés disso a venda foi tirada e as mãos soltas, fui sentada em uma cadeira e vi na minha frente a criatura mais angelical e doce que já vira em toda a minha existência. E o pior, eu a conhecia.
Minha língua enfim tinha me traido mesmo. Seria ela um anjo mandado pelo proprio Deus para calar minha boca? Não eu não sou tão importante. Seria ela uma nobre com algum plano escuso? È, mais ou menos.
A bela ruiva com ar francês tagarelou por horas sobre poder, riquezas e governos. Mas quando o assunto chegou em vampiros, tive medo de estar no lugar errado.
Mas uma coisa que aprendi com meu pai é que tudo na vida tem um preço e que você deve aproveitar a vida, pois ela é curta demais, e que ele precisava de dinheiro para aproveitar a dele, logo, me vendeu.
Se me ver livre dos cantos e salmos, poder usar belos vestidos como o da ruiva, e poder beijar quantos homens quiser, além de ser jovem, bela e imortal pro resto da vida tem um preço, me parece interessante paga-lo.
Sei que não é barato, pois como ela disse, há algum ônus.
No entanto, meus anos de noviça também me ensinaram uma coisa. Se a igreja proibe, é por que é bom. Se a igreja caça, é por que é melhor ainda. E se a igreja teme, é isso que eu quero ser.
Vamos lá ruivinha, me mostre o que é ser esse tal de Vampiro.

domingo, 20 de novembro de 2011

Zephus- O Segredo do Céu


O amanhã é sempre uma grande surpresa e foi com este sentimento que Zephus abriu seus olhos e vislumbrou o local onde se encontrava. Era nítido para ele, um novo ciclo havia começado, por mais que não se lembrasse de seu último, sabia que tinha encontrado algo grande, algo majestoso ao qual não se lembrava, mas que agora não fazia importância alguma, afinal toda aquela vista de montanhas gélidas com ao longe pastos verdes  e águas transparentes jorrando das grandes montanhas realmente era tão grandioso quanto qualquer sentimento que pudesse ter. Zephus se pôs de pé e percebeu o quanto era forte. Suas asas eram enormes com plumagens negras e algumas penas brancas nas pontas, seu bico e garras eram poderosas, seus olhos viam coisas a uma distância que ele mesmo quase não acreditava. Como ele era formidável e como era gostoso voar por aquelas montanhas se colocando acima de outras aves menores e caçando seus alimentos tanto no ar, na água ou em terra. O novo agora parecia mais bonito para Zephus e ele desejou que aquele ciclo nunca passasse. Nos dias mais frios se esquentava em seu ninho apenas indo voar para caçar e nos mais quentes voava praticamente o dia todo para se exercitar e combater outros que queriam entrar no que ele chamou de seu domínio. Muitas outras criaturas do novo queriam o domínio de Zephus, porém ele mantinha habilmente os invasores longe do qual chamou de domínio dos céus. Parecia para ele que as próprias montanhas se curvavam em sua homenagem quando passava e que todos os seres que ali estavam ou entravam deviam respeito a ele, e quando não apresentavam este respeito, ele impunha com toda sua magnífica força. O tempo passou, Zephus encontrou uma parceira, outra ave de sua espécie para que pudesse ter seus herdeiros. Tudo estava indo perfeito se não fosse um sentimento crescente de que ele havia se desviado de seu caminho. O novo havia tomado conta de tudo e os ciclos não mais eram decisões de zephus ou de qualquer outra criatura. Em uma bela manhã quando Zephus abria suas asas para voar de seu majestoso ninho ele se deu conta dos pontos luminosos à cima dele, Zephus ficou furioso, pois algo ousava voar mais alto dele e de seu domínio, logo se colocou a voar, sempre subindo para que pudesse ver e confrontar o que voava acima dele. A majestosa ave brilhante ainda estava muito longe quando Zephus perdeu suas forças e seu fôlego e começou a cair. O novo girava a cada rodopio aéreo que Zephus dava com a pressão da queda que o jogava para baixo, ele estava exausto, o seu domínio já não o deixava confortável e suas asas agora cansadas já não batiam. Zephus se viu em grandes problemas, porém em um de seus rodopios percebeu algo azul no fundo do vale gelado, algo que corria sem parar e que ele fazia uso para caça, a água. Como era magnífica, tanto quanto o seu domínio dos céus, ou aquele verde ao longe.Percebeu então que na verdade estes lugares não pertenciam a ninguém e sim os seres que moravam neles que pertenciam a esses lugares. Com uma frustração tremenda ele se pôs a tentar bater suas asas assim que conseguia respirar novamente, começou a se estabilizar e em vez de fazer força como sempre, apenas planou junto com o vento vendo como ele era apenas mais um no meio do domínio dos céus que obviamente não pertencia a ele e sim do próprio céu. Depois de muito planar com o vento conseguiu voltar a seu ninho. Começou a procurar mais por onde o vento soprava, quando estava mais forte ou mais fraco, quando fazia curvas ou ia reto. Começou a reparar em todos os elementos, a água, a terra e todos os outros seres, assim como sentia que já havia feito tantas vezes. Procurou em seus filhotes a resposta da pergunta que nem ele havia imaginado em fazer, mas que não saia de sua mente. Por quê? Então novamente percebeu que tudo é um e um é tudo. Ekbath na verdade são todos e todos são Ekbath. Todos os seres deste novo eram vindos dos elementos, todos os seres foram tocados pela escuridão e pela luz para se formarem e principalmente todos os seres formaram sentimentos próprios assim como ele os tinha no domínio dos céus. A pergunta agora era, e qual o grande segredo? O que ele ainda buscava? Neste instante Zephus se deparou com algumas criaturas que nunca havia visto criaturas de poucos pelos em seus corpos, grandes, andavam de duas patas e usavam outras duas para caçar, criaturas magníficas, esquisitas, mas magníficas. Quando se preparou para fazer uma volta no céu e observar novamente, descobriu como que em um estalo aquilo que vinha procurando, o segredo do céu é que no meio de toda aquela liberdade, no meio de todo aquele Todo, a sua única limitação, é as que você coloca para você mesmo. Neste instante pousou próximo aos desconhecidos e desejou ser exatamente como eles, afinal seu ciclo pelo visto já estava no fim. Os homens vieram ver aquela magnífica criatura e ao invés de tentar aprender com ele como Zephus havia planejado, tinham necessidades mais importantes, como, as de defender seu domínio daquela criatura magnífica. Assim, morto nas mãos dos seres que desejava ser, Zephus ficou feliz, pois sabia o que se tornaria em seu próximo ciclo. Muitos e muitos anos se passaram e um dia em uma vila bem mais avançada do que a que Zephus  se deparou, nascia Eldrake, um humano. (continua)

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Cansada...

Cansada... essa palavra já está ultrapassada em relação ao todo. Sozinha... tenho me sentido assim desde que cheguei a Canterbury. Saturada... já estou corroída antes mesmo de se passar o primeiro ano.
A minha cabeça é um turbilhão de pensamentos, problemas, chateações, frustrações, as noites começam bem, terminam mal ou vice-versa. Tenho escutado humilhações, broncas, desaforos, de todos... São tantos próximos e tão poucos fazendo algo realmente útil, Canterbury é o lugar mais nojento da face dessa Europa e eu devo arrumá-la...
Maldito fantasma de Mithras, ele assombra os meus de forma tão intensa que chega a me assustar, desde que viemos para a Bretanha, ele dita as ordens e eles passam por cima de mim, com medo de que ele faça algo contra eles... Eu já não agüento esse porão bem iluminado... TUDO está sendo horrível e dentro desse lugar e não tive sequer um segundo de sossego, não posso sair, hordas caem sobre minha cabeça, não posso ficar, hordas caem sobre minha cabeça.
Lá fora são inquisidores, lasombras, peste... aqui dentro é meu marido, meu filho, minhas amigas e Miros... Não tenho paz para pensar em como solucionar problemas, não tenho tempo para treinar combate, não tenho gente para contar na hora da ação, não tenho meios de entrar na cidade... A idéia do conde é boa, mas até quando? Os Murneau logo vão querer saber quem é, de onde veio e o que quer e creio que quando isso acontecer ele estará em perigo.
Lasombras comandam a Igreja, a inquisição e os próprios ninhos, me seguem feito as sombras que eles tanto endeusam, agora estão começando a se mostrar, ainda não entendi como aquela barata do abismo conseguiu escutar toda minha conversa com Calebros e matá-lo sem que sequer UM mortal a visse, pior, sem que UM simples inquisidor pudesse sentir aquela aura grotesca e nefasta e bastou Mihaela descontar um milésimo de sua raiva em um pequeno grupo que TODA a ordem já sabe que se trata de uma mulher com os trejeitos dela.
Estou esgotada... as minhas forças estão ruídas há mais tempo do que eles pensam, eu já pensei coisas horríveis a meu respeito, inclusive de ir embora e largá-los todos aqui, foi um pensamento egoísta ainda mais que eu os amo tanto, mas infelizmente, a situação precisa mudar, se eu não puder contar com eles, vou contar com outros, todos nós estamos fatigados, mas acho que se eles não forem meus alicerces, nenhuma construção dessa cidade vai permanecer de pé, não sob o comando da príncipe fraca de Canterbury, Leona de Notreville.